A pólio já perdeu 99,9%. Falta a parte mais difícil.

A pólio caiu mais de 99,9%, mas ainda circula e exige vacinação, vigilância e confiança. Em Fortaleza, você pode ajudar a concluir essa jornada.

Causa global5 min de leitura
Zé Gotinha no Duathlon End Polio Now, na Beira-Mar de Fortaleza

Em 1988, havia cerca de 350 mil novos casos de pólio por ano no mundo. Era uma criança paralisada a cada dois minutos. Hoje, a erradicação da pólio Rotary está mais perto: a incidência da doença caiu mais de 99,9% desde que a iniciativa mundial começou.

Essa vitória, porém, ainda não está completa. Em 2026, o poliovírus selvagem continua endêmico no Afeganistão e no Paquistão. Na atualização de 2 de setembro de 2026, com dados consolidados pela Iniciativa Global de Erradicação da Pólio até essa mesma data, o painel somava cinco casos no ano nesses dois países, três no Paquistão e dois no Afeganistão. É pouco diante do passado, mas suficiente para mostrar que a doença ainda existe.

Como a erradicação da pólio chegou tão perto

A Rotary começou seu programa PolioPlus em 1985, depois de uma primeira campanha de vacinação nas Filipinas, em 1979. Em 1988, tornou-se parceira fundadora da iniciativa global, ao lado de governos, da Organização Mundial da Saúde e do UNICEF. Mais tarde, a Fundação Gates entrou nessa aliança.

Não foi uma campanha de um dia. Foram décadas de vacinação, transporte de doses, trabalho de profissionais de saúde, mobilização comunitária e vigilância para localizar o vírus. Segundo a Rotary International, mais de 3 bilhões de crianças em 122 países foram protegidas, e a organização destinou mais de US$ 2,9 bilhões a subsídios PolioPlus.

Esse percurso explica a queda de mais de 99,9%. Também explica por que não basta contar apenas crianças vacinadas. A rede acompanha casos suspeitos e amostras ambientais, porque encontrar o vírus antes de ele causar paralisia permite responder mais depressa.

No Brasil, a memória da doença parece distante por uma boa razão. O Ministério da Saúde registra o último caso em 1989, na Paraíba. Em 1994, as Américas foram declaradas livres da transmissão autóctone do poliovírus selvagem.

Livre da transmissão local não significa dispensada de cuidado. Enquanto o vírus circular em qualquer país, pode atravessar fronteiras e encontrar comunidades com baixa cobertura vacinal. A conquista brasileira, portanto, precisa ser protegida com vacinação e vigilância contínuas.

Por que a parte final é a mais difícil

Toda longa jornada tem um trecho em que a chegada parece garantida. Na pólio, esse é justamente o ponto perigoso. Quando uma doença some da rotina, a lembrança do risco enfraquece e a vacina pode parecer menos necessária.

A complicação final não é apenas biológica. Desde a pandemia de Covid-19, interrupções nos serviços e a queda da vacinação infantil deixaram mais crianças sem proteção. O UNICEF inclui ainda conflito, deslocamento, hesitação vacinal e desinformação entre as razões para essas lacunas.

O resultado já apareceu onde a doença parecia vencida. Segundo a página do UNICEF sobre a erradicação da pólio, a redução da cobertura infantil contribuiu para novos surtos em países que permaneciam livres da pólio havia décadas. Recuperar confiança e acesso é parte do trabalho sanitário.

Não é correto resumir tudo a uma escolha individual ou culpar famílias. Em áreas de conflito ou deslocamento, uma equipe pode ter dificuldade para chegar. Em outros lugares, mensagens falsas encontram espaço onde faltou uma conversa confiável. Por isso, o trabalho final combina ciência, acesso, escuta e presença constante.

O End Polio Now ganhou rosto em Fortaleza

Uma campanha mundial pode parecer abstrata até aparecer aqui do lado. Foi esse o papel do primeiro Duathlon End Polio Now em Fortaleza, realizado na Beira-Mar pelo Rotary Club de Fortaleza Edson Queiroz.

Natação, canoagem e corrida dividiram o cenário com o Zé Gotinha. Para quem cresceu vendo o personagem nas campanhas de vacinação, a imagem trouxe a pólio de volta à conversa sem alarmismo. A causa global ganhou um lugar conhecido, gente da cidade e uma pergunta simples: por que parar tão perto do fim?

O evento foi financiado por patrocínio local. O pareamento da Fundação Gates não financiou o Duathlon. Essa separação importa porque confiança também se constrói explicando de onde vem e para onde vai cada recurso.

É aí que um clube de Fortaleza funciona como aliado. Você não precisa confiar numa campanha distante sem saber com quem falar. Pode conversar com a secretaria, entender a destinação e conhecer as pessoas que mantêm essa pauta viva na cidade.

Como uma doação para a pólio vira três

Desde 2013, a Fundação Gates acrescenta dois dólares a cada dólar que a Rotary destina à erradicação da pólio. A parceria já mobilizou mais de US$ 1,6 bilhão em conjunto. Em 2025, as instituições renovaram o acordo: a Rotary se comprometeu a arrecadar até US$ 50 milhões por ano, com mais dois dólares da Fundação Gates para cada dólar, chegando a até US$ 150 milhões anuais.

Em termos diretos, cada real destinado à pólio pode virar três dentro desse mecanismo. O dinheiro apoia vacinação, entrega de doses, vigilância, resposta a surtos e mobilização das comunidades. Não é um prêmio nem um recurso para qualquer atividade do clube. A triplicação vale para a contribuição encaminhada especificamente à causa da pólio.

Por isso, o caminho começa no WhatsApp, não numa chave Pix publicada sem contexto. A secretaria informa a chave correta para a destinação escolhida. Depois do envio do recibo pelo WhatsApp, você recebe a comprovação da destinação e um agradecimento. O real é visto por gente próxima, contado para a finalidade informada e, quando destinado à pólio, entra no pareamento que o transforma em três.

End Polio Now: como ajudar no último trecho

O mundo já percorreu quase toda a distância entre 350 mil casos anuais e os poucos registros de 2026. Ainda assim, erradicar significa interromper a transmissão em toda parte e sustentar a proteção até que o vírus não encontre mais caminho de volta.

Informações sobre apoio e participação estão em Participe. Para entender a doação, a destinação para a pólio e o pareamento, fale com a secretaria do clube pelo WhatsApp.

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